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«Um teste de fogo»
Carlos Cabral prepara ida do CD Póvoa a Penafiel
Entrevista publicado no site da Federação Portuguesa de Basquetebol
Autor da entrevista: Carlos Seixas
Data: 18/02/2010
O
CD Póvoa tem vindo a realizar um bom campeonato na Proliga em ano de
estreia no escalão. A equipa está no quinto lugar na tabela e o seu
treinador não esconde que, com trabalho, muita dedicação e espírito de
sacrifício, é possível o clube almejar posições ainda mais acima. Este
sábado, às 21 horas, os poveiros defrontam o Penafiel, líder da
classificação e outro estreante nesta divisão.
O quinto lugar que ocupa actualmente no campeonato supera as expectativas que tinha para esta época?
É verdade que supera as expectativas iniciais da equipa. Penso que
crescemos ao nível desportivo, fruto do trabalho de jogadores e
treinadores, mas esse crescimento não foi acompanhado ao nível da
organização do clube. É necessário rentabilizar todos os nossos
recursos humanos, materiais e financeiros, para que este crescimento
seja sustentado e solidificado.
Após 6 jogos consecutivos perante o vosso público, surgiu uma
vitória na Maia frente à equipa local. Perante os resultados, considera
que o factor casa tem sido favorável à vossa subida na tabela
classificativa?
O factor casa foi importante na ascensão da equipa na
classificação. Mas recordo alguns jogos que fizemos fora de casa e onde
as nossas performances foram bastante positivas, como no caso do
Barreiro, onde perdemos por dois pontos, falhando nove lances livres e
fazendo vinte e dois "turnovers" durante o jogo, fruto da inexperiência
da equipa; ou em Barcelos, com quem perdemos por quatro pontos com uma
falta técnica assinalada ao nosso banco a vinte segundos do final do
jogo... E permitam-me uma crítica a este calendário da Proliga, com
paragens incompreensíveis, equipas a fazerem quatro e cinco jogos
seguidos em casa, horários despropositados para equipas que têm que
fazer trezentos e mais quilómetros para jogar.
Depois da paragem, surge um teste de fogo ao vosso grupo de
trabalho, com a deslocação a casa do líder Penafiel, que curiosamente,
tal como vocês, compete pela primeira vez nesta Liga. Ao analisar esta
equipa do Penafiel, e aproveitando já para fazer o lançamento do jogo
do próximo sábado, quais os factores que considera determinantes para o
domínio que o Penafiel tem evidenciado até ao momento?
Temos realmente um teste de fogo perante o líder do campeonato. Um
bom momento para aferirmos o que valemos e o que precisamos de
reformular. Não será um jogo fácil, mas se estivermos concentrados e ao
melhor nível, iremos, por certo, lutar pela vitória. Penso que a grande
vantagem do Penafiel estará na possibilidade da maior parte dos seus
jogadores e do seu treinador poderem treinar muito mais que qualquer
outra equipa da Proliga, na sua grande capacidade de trabalho e,
também, por estar superiormente dirigida pelo meu amigo Valentyn
Melnychuk.
Nesta fase do campeonato já possui uma ideia do que poderá valer
cada equipa. Julga que esta posição do CD Póvoa é possível de ser
mantida, obrigando-o a reformular os objectivos que traçou para esta
temporada?
A nossa classificação na fase regular será aquilo que os jogadores
quiserem. Se conseguirem aprender a aprender e a ouvir, se trabalharem
com muito mais intensidade, se melhorarem o seu espírito de sacrifício
e jogarem como equipa, o nosso todo será maior que a soma das
individualidades e então poderemos surpreender. Se, ao invés, cada um
olhar só para si e ser o melhor lá da rua for o bastante, com certeza o
apuramento para o playoff será uma miragem.
Autor da entrevista: Carlos Seixas
Data: 18/02/2010
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